“Acompanhar de perto o método de Heyttor Barsalini e Isamara Gouvêa reforçou para mim a essência desse trabalho. Não se tratava de visitar grandes restaurantes ou até chefs renomados, mas de buscar a escuta de pessoas reais, resgatando histórias de família e registrando receitas guardadas na memória. Esse olhar atento e sensível do casal, unido à personalidade cativante, performática e familiar, foi a porta de entrada para conversas genuínas com cada entrevistado, facilitando a quebra de barreiras e o fluir das histórias. Ali, eles registram aquilo que o tempo ameaça apagar, o que é transmitido nas relações familiares e sociais, o que resiste nas mesas das avós, que se transmite através da fala, ao redor da mesa, de pé na cozinha, ao calor do fogão a lenha. Foi lindo ver de perto um trabalho de dois apaixonados por pessoas e por comida, que buscam na culinária a história de quem somos, fomos e podemos ser. O que fazem é uma forma de preservar a culinária e, através dela, a cultura e a própria identidade alimentar dessas regiões.”
Samirah Kurdi.



