“Clínica do Impossível” e “Arma de Fogo no Brasil” são os livros perfeitos para ler este fim de ano

Fim de ano chegou e já começamos a nos preparar para o início de uma nova fase. Além do clima de mudanças, essa época também é perfeita para colocar as leituras em dia. Depois de anos conturbados, talvez esse também seja o momento ideal para entender as pautas atuais da sociedade. Saiba mais sobre os dois lançamentos da Editora Telha para inaugurar as suas leituras de fim de ano. 

Livro: Clínica do Impossível

O primeiro é “Clínica do Impossível”, do psicólogo e mestre em Psicologia Clínica, Lucas Veiga. Motivo de comemoração para os amantes da psicologia clínica, o livro tem assuntos relacionados a diversos grupos sociais e campos de pensamento (arte, filosofia, política etc.). Lucas argumenta que é “imprescindível ao psicólogo estar atento e sensível ao contemporâneo”.

O autor conduz o leitor em sua escrita pela importante narrativa sobre racismo, sabedoria ancestral e reumanização ao tratar da “psicologia preta”. Essa vertente teve início nos Estados Unidos, no final dos anos 60, a partir do trabalho de intelectuais contemporâneos à luta dos direitos civis. No momento em que a comunidade negra lutava por seus direitos, os intelectuais negros e negras, especialmente psicólogos, produziam conhecimentos sobre a singularidade das subjetividades negras. Assim, a “psicologia preta” promove um olhar mais sensível às vivências que não eram contempladas pelo viés branco que a psicologia tinha.

Em seu livro, Lucas propõe um debate sobre como o racismo afeta a saúde mental da população negra e se pergunta: “Por quais caminhos pessoas de pele preta podem ser livres? Se o fim imediato do racismo é impossível, a fuga é uma questão de vida ou morte”. 

Livro: Arma de Fogo no Brasil

O segundo livro é “Arma de Fogo no Brasil”, do advogado Bruno Langeani. O autor trabalhou na área de gestão de projetos e planejamento da Prefeitura de São Paulo, foi coordenador de Controle de Armas de Fogo do Instituto Sou da Paz e atuou como consultor do Escritório das Nações Unidas (UNODC).

O livro fala sobre a importância do desarmamento e traça uma narrativa em torno das armas de fogo, responsáveis pela maioria dos homicídios no Brasil. Ele apresenta o histórico do uso de armas no país, exemplificando as fragilidades das leis e os problemas de fiscalização.

Durante o governo Bolsonaro, a flexibilização das armas de fogo foi um dos focos da campanha política e o Brasil duplicou o número de revólveres nas mãos da população. Só em 2020 a alta da posse foi de cerca de 97,1%. Essa realidade, por consequência, duplicou também o número de mortes de brasileiros. Foram mais de 50 mil registros de óbitos no ano de 2020 e o destaque é para a população negra e LGBT. De todos os homicídios contabilizados, 78% são de pessoas negras, com o adendo de que crianças pretas morrem 3,6 vezes mais por armas de fogo. 

O cenário tende a piorar, principalmente por conta das constantes mudanças nos decretos e portarias. Só em 2021 o governo Bolsonaro tentou passar 31 atos normativos com o objetivo de flexibilizar o porte de armas. 

Além de problematizar a realidade, o autor ainda oferece possíveis soluções para o armamentismo brasileiro, como para o aumento da quantidade de armas que um cidadão comum pode comprar – em 2019 o número subiu de dois para quatro e, agora, de quatro para seis. 

Leituras para o fim de ano

Com uma realidade assustadora e um futuro incerto pela frente, ambos os livros apresentam um olhar muito importante sobre as problemáticas, violências e desigualdades cada vez mais escancaradas no Brasil. Apesar das obras serem completamente distintas, elas possuem diversos pontos em comum ao oferecer seus panoramas sobre questões tão delicadas, oferecendo também um pouco de esperança para tempos difíceis.

Então se você está procurando uma leitura elucidativa, forte e relevante, não deixe de conferir “Clínica do Impossível” e “Arma de Fogo no Brasil”. São livros necessários, com narrativas ávidas, temas politicamente relevantes e extremamente importantes no atual momento em que estamos vivendo.

Fontes: 

Deixe um comentário