Este livro traz importantes contribuições teóricas e etnográficas para a compreensão da complexidade e diversidade das experiências culturais e políticas dos palestinos em diferentes contextos locais e globais. Nesse momento em que ocorre um genocídio contra a população de Gaza perpetrado por Israel, assim como a intensificação das práticas colonialistas e repressivas por parte do exército israelense e dos colonos judeus na Cisjordânia, a reunião de trabalhos feitos por antropólogos brasileiros permite olhar o universo político, social e cultural de palestinos a partir de prismas epistemológicos diferenciados das abordagens tradicionais. O foco nas relações entre o Brasil e a Palestina permite a compreensão de circuitos e conexões transnacionais que, embora invisibilizadas ou ignoradas pela maioria das abordagens feitas a partir de instituições acadêmicas do “Norte Global”, permitiram a circulação de pessoas, ideias e objetos que participaram na constituição da Palestina como espaço física e simbolicamente globalizado. Relações diplomáticas, imigração, refugiados, ativismo político, instituições comunitárias e formas de pertencimento e identidade coletiva são alguns dos temas que são analisados nesse livro. Assim, ao deslocar o olhar etnográfico para circuitos de pertencimento, troca e solidariedade estruturados a partir do Brasil, os autores dos capítulos aqui reunidos trazem uma compreensão mais densa do caráter multifacetado da experiência palestina em diversos contextos sociais e culturais. Desse modo, é possível entender as diversas fontes da resiliência que permite aos palestinos desafiarem os projetos coloniais que tentam, desde muito, silenciá-los, dominá-los e, agora, destruí-los.
Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto, Professor de Antropologia da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio (NEOM) da UFF.



