A partir dos anos 2010, a dinâmica política brasileira atravessou mudanças expressivas decorrentes da consolidação de uma socialização que passava a ser mediada por redes digitais, recomposição do mercado de trabalho e dos setores produtivos, redesenho da vida urbana e dos serviços, novas demandas de reconhecimento e cidadania, alterações culturais na religiosidade e nas identidades individuais e recalibragem das clivagens ideológicas. As transformações coexistem com novos arranjos institucionais que reordenaram o sistema de poder republicano e as relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Do ciclo de manifestações de rua de 2013 ao final do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, as fraturas abertas por conflitos sociais e crises institucionais e econômicas fustigaram o pacto político que, construído em 1988, sustentou a nova república. Foi aberto, assim, um momento histórico em que as instabilidades e a aceleração das transformações sociais exigem condições para uma repactuação da sociedade e do Estado em torno de maior estabilidade institucional e sociocultural. O livro apresenta uma análise de conjuntura que pretende costurar alguns sentidos para as mudanças em curso no país, a um só tempo, aprendendo com as contradições históricas da nova república e indicando horizontes para uma repactuação baseada na moderação política e nas virtudes cívicas subjacentes ao republicanismo democrático.
A difícil repactuação: uma análise de conjuntura (Brasil, 2013-2026)
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Em junho de 2013, o Brasil assistiu a protestos massivos que questionaram a qualidade da representação política e o sistema de poder da nova república. Os protestos abriram um ciclo de manifestações de rua que se estenderam até 2018. No início dos anos 2020, mudanças ideológicas e institucionais modularam o sistema de poder, considerando a maior radicalização ideológica e novos termos nas relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Em 2026, as fagulhas da década passada não foram resolvidas, embora tenham sido ultrapassadas pelos movimentos de reinstitucionalização do sistema de poder republicano que fecharam o ciclo histórico aberto em 2013. O livro argumenta que a desestabilização do pacto político que fundamentou a nova república ainda busca um novo modelo de pactuação capaz de acomodar as dissensões sociais e repensar os nexos entre cidadãos e Estado.



