Livros que retratam a cultura nordestina

As muitas histórias que retratam a cultura nordestina nos levam a um lugar rico em características marcantes e cheio de belezas naturais. Títulos consagrados fazem parte da literatura brasileira, levando o nome de grandes autores dessas regiões do país.

Desde o sábio Ariano Suassuna à nossa majestosa Raquel de Queiroz, os autores nordestinos atravessam gerações, conquistando jovens e adultos, com sua valente teimosia em mostrar essa cultura tão apaixonante. 

Um povo bravo e valente que, por muitas vezes, encarou a única escolha que tinha: lutar para sobreviver. Em meio a histórias de secas ou guerras, é como Euclides da Cunha revelou: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.”

Pessoas que tinham todos os motivos para se entregarem às mazelas hostis que lhes cercavam, decidiram ser alegres entre as cantigas de cordel e as festas de São João.

Vamos relembrar alguns clássicos e pequenos trechos para você sentir o gostinho de cada livro nordestino que não pode faltar na sua lista.

Livros da cultura nordestina que não podem faltar na sua lista

Capitães de Areia, Jorge Amado

A história que retrata a vida de um grupo de meninos de rua em Salvador, na Bahia, é rica em diálogos que podem ser debatidos até os dias de hoje, pois mostram questões sociais relevantes e atuais.

“Que culpa eles têm? Roubam para comer porque todos estes ricos que têm para botar fora, para dar para as igrejas, não se lembram que existem crianças com fome.” – Jorge Amado, Capitães da Areia

Cordel, Patativa do Assaré

Um dos nomes mais importantes da Literatura de Cordel, Patativa do Assaré, pseudônimo de Antônio Gonçalves da Silva, reproduzia poemas, belezas e tristezas do sertão nordestino como ninguém. Em seu livro, é possível encontrar uma seleção de seus melhores poemas. Uma homenagem e ao mesmo tempo uma declaração de amor ao nordeste.

“A terra é um bem comum

Que pertence a cada um.

Com o seu poder além,

Deus fez a grande Natura

Mas não passou escritura

Da terra para ninguém.

–  Trecho do poema “A terra é nossa”, do livro Cordel, de Patativa do Assaré.

Vidas Secas, Graciliano Ramos

Não dá para falar de literatura e cultura nordestina sem citar Vidas Secas. As crônicas de um jornalista que se transformaram em uma linda história que retrata a luta de Fabiano e sua família para sobreviver em meio a seca.

“Iam-se amodorrando e foram despertados por Baleia, que trazia nos dentes um preá. Levantaram-se todos gritando. O menino mais velho esfregou as pálpebras, afastando pedaços de sonho. Sinhá Vitória beijava o focinho de Baleia, e como o focinho estava ensanguentado, lambia o sangue e tirava proveito do beijo.” –  Graciliano Ramos, Vidas Secas

O Quinze, Raquel de Queiroz

Raquel de Queiroz fez história com esse clássico que fala de uma das piores secas do nordeste, em 1915. Os olhares da seca são contados pela professora Conceição, que vive um romance com o criador Vicente, e de Chico Bento. Todos eles foram obrigados a migrar a pé com a família do sertão de Quixadá para a capital, Fortaleza.

“Tudo isso era vagaroso, e ainda tinham que sofrer vários meses de fome. À medida que a cadeirinha avançava, Dona Inácia informava-se com o vaqueiro sobre o que aconteceria pelo Logradouro. O homem só aludia a misérias e a mortes. Dos olhos embaciados da velha, as lágrimas desciam, apressadas. E ao ver a sua casa, o curral vazio, o chiqueiro da criação devastado e em silêncio, a vida morta, apesar do lençol verde que tudo cobria, Dona Inácia amargamente chorou, com a mesma desesperada aflição de quem encontra o corpo de alguém muito querido, que durante nossa ausência morreu.” – Raquel de Queiroz, O Quinze

O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna

Mestre da cultura nordestina, Ariano Suassuna teve o livro O Auto da Compadecida transformado em filme em 2000. Recheado de elementos de cordel e também do sertão de Lampião e Maria Bonita, a obra conta a história de Chicó e João Grilo com muita diversão e graça.

“Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escalador. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.”

⁠” – Fui logo dizendo “I love you”, e ela se derreteu todinha.

– “I love you”?

– É. Quer dizer “morena” em francês.”

⁠” Trair você era lhe matar um pouquinho dentro do meu coração. Eu tenho tanto medo de lhe perder de vez que eu ia tentando lhe perder aos pouquinhos.”

– Trechos do livro “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

Outros títulos da cultura nordestina

Os livros nordestinos são uma riqueza para o nosso mercado editorial. Não deixe de conhecer essa região tão incrível do nosso país com clássicos que fizeram história. E o melhor, sem sair de casa!

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