Que tipo de sonho uma música traduz? Neste livro, escrito com inspiração e rigor, Caique Carvalho assume, na trilha de Adorno e Jameson, uma das tarefas centrais da sociologia: desvendar os conteúdos sociais incrustados nas formas culturais. Tais conteúdos não se deixam ver de forma transparente, exigindo a capacidade de interpretar criticamente as mediações que os exprimem ao passo que os ocultam. Levando a cabo esse trabalho de forma modelar, Caique mostra como o sertanejo universitário se tornou, no início do século XXI, a trilha sonora de um país animado por esperanças e, ao mesmo tempo, marcado por fraturas. Em sua estética que, exaltando a curtição, a festa, a fugacidade e o descompromisso afetivos, opera um “exorcismo da tristeza” das gerações anteriores de sertanejos, Caique lê a ascensão do agronegócio do Centro-Sul do país, a reprimarização da economia brasileira e o reforço de nossa condição histórica de dependência.
Sertanejo universitário, agronegócio e indústria cultural
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Qual é a relação da vertente musical brasileira mais popular do início do século XXI e os processos de modernização do país? Isto é o que Sertanejo universitário, agronegócio e indústria cultural responde ao abordar a profunda vinculação entre o sertanejo universitário e o agronegócio. Partindo de uma análise interdisciplinar, o livro percorre a trajetória da música sertaneja desde suas origens até a ascensão da vertente universitária, destacando seus pioneiros, sua formação estética e suas conexões sociais. Revela, portanto, como essa música é, ao mesmo tempo, produto, articuladora e expressão de uma nova dinâmica da indústria cultural, no campo musical brasileiro — um convite instigante para explorar a música e, por meio dela, o próprio país.


