Em um Nordeste forjado no misticismo, em que imperava a seca, o cangaço e o mandonismo dos coronéis, a fé do povo se torna o único refúgio ou a maior das sentenças. É nesse contexto que se passa a história ccional de Ageu Ferreira Alcoforado, um homem religioso, movido por um sonho de infância e pela devoção ao padre Cícero, que deixou Belo Jardim (PE) para se tornar um andarilho da fé. Em Vereda da Paraibinha, município de Carnoió, interior da Paraíba, sua jornada atingiu contornos épicos. Ali, entre a seca, a fome e a esperança, Ageu fundou uma igreja dedicada à Santa Verônica, atraindo camponeses que fugiam da tirania dos coronéis, da exploração, do abusivo “imposto do fogão” e da miséria secular. Nesta saga visceral, narrada entre as pregações sobre a Estrela Dalva e a promessa de uma terra prometida — Montevidéu —, a vida pulsa em cores vivas: há amor “impossível”, seres místicos do folclore nordestino, o submundo do baixo meretrício e o sombrio “batel infernal”. A Saga do beato Ageu é um mergulho profundo na alma nordestina — um relato sobre resistência e o embate fatal entre a fé e as armas da repressão. Os poderosos não toleram a autonomia dos invisíveis. Assim, temendo o fantasma de uma nova Canudos, os coronéis e o governo da Paraíba moveram uma engrenagem de violência extrema contra os éis de Santa Verônica. Prepare-se para conhecer o homem que ousou sonhar o céu no meio do inferno.
A saga do beato Ageu
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José Aroldo da Silva é estudioso da literatura de 30 no Nordeste. Abordou obras desse período no mestrado e doutorado. Tem paixão pela literatura de cordel, especialmente textos do cangaço e messianismo. Suas leituras e amor pela cultura regional convergem na saga do beato Ageu, que ganha vida nas paisagens do Cariri paraibano, cuja narrativa resgata elementos e personagens históricos e ficcionais da Paraíba. O autor incorpora com maestria a riqueza do folclore — as “mesinhas” milagrosas do Beato – a lenda do “batel infernal”, que pune homens maus, ignorando os coronéis. A hipocrisia social é exposta no con ito em torno do bordel de Chica Flor, combatido nas pregações de Ageu, e no amor impossível de um vaqueiro pela filha do fazendeiro. O romancista oferece um painel vibrante e autêntico do Nordeste, honrando raízes literárias e culturais.


