“Sonetos do Cárcere é uma obra sucinta e bem estruturada no tocante a flexibilidade autoral e ao manejo com as sintaxes e com os tempos e construções, a qual através de um eu lírico que serve como porta-voz de todo o ecossistema do cárcere no tocante a temáticas existenciais, religiosas e amorosas desvenda o cotidiano penitenciário e suas deficiências sistêmicas (“A Prisioneira”; “Ai de Ti Mulher”; “Matrícula Penal”; “O Carcereiro”; “Tempo Sequestrado I”; “Tempo Sequestrado II”). A obra traz, em seus poemas, especial destaque para a crítica à concepção de ressocialização a pessoa privada de liberdade, a qual sequer foi alcançada pela inclusão quando gozava de liberdade (“Egresso”; “ Condenado”). Além da abordagem filosófica de questões várias (“A Caverna”; “Deixe-me Dormir”; “Episteme”; “Livre-arbítrio” ; “O Câncer da Existência”; “Resignação”; dentre outros), há também a preocupação com imagens vívidas e terríveis no ambiente prisional, como registrado em “Rebelião”, as quais são descritas nos versos que mencionam que “as portas do inferno se abrem na Terra”; ou em “O animal”, no qual a dignidade do encarcerado é posta em xeque devido ao sistema que o mantém em custódia. Enfim, “Sonetos do Cárcere”, através da poesia, é acima de tudo um instrumento de denúncia das mazelas do sistema carcerário e do processo de exclusão que afeta o corpo e a alma das pessoas privadas de liberdade como evidenciado em “Denunciando a Barbárie da Prisão”.
Sonetos do cárcere
R$40,00
“Sonetos do Cárcere” apresenta uma poesia lírica, que numa abordagem metafísica, a partir da perspectiva das sensações emanadas da prisão no tocante a temáticas existenciais, religiosas e amorosas, procurou combinar o raciocínio lógico e a argumentação com o sentimento para construir, nos sonetos, um argumento intelectual vinculado a sensibilidade humana. Os poemas tratam a prisão para além de espaço físico e psicológico; neles a prisão é também um espaço espiritual; que vai além da mortificação de corpos e mentes como concebia Foucault; mas potencializa a angústia da existência, conforme conceituava Schopenhauer, que caracteriza a prisão enquanto lócus de injustiças e diversas formas de violência. Portanto, “Sonetos do Cárcere” evidencia a poesia como um canal para expressar os sentimentos complexos do ecossistema carcerário, por vezes não verbalizados no cotidiano prisional.



