Acompanhar a Carol Bonomi — seja em texto, seja na vida, seja em seu generoso conteúdo nas redes sociais, onde ela atua corajosamente trazendo a público temas que nos são caros e, ao mesmo tempo, muito espinhosos e polêmicos — me traz muitas vezes aquele arrepio que vem quando a gente se reconhece nas palavras da outra não como objeto de estudo, mas como parte viva da história. Carol escreve com respeito, escuta e coragem, se aproxima das trabalhadoras sexuais não como quem observa, mas como quem caminha junto. Este livro é um encontro entre pesquisa e afeto, entre a teoria e o corpo. É também um gesto político: afirmar que nossas vozes, as vozes das putas, das mulheres da vida, são parte essencial das lutas feministas e por direitos humanos no Brasil. Carol escreve com a delicadeza de quem conhece de perto nossas histórias, mas também com a força de quem entende que o prazer, o trabalho e o desejo são dimensões legítimas da vida. Ler este livro é ver o movimento de trabalhadoras sexuais ocupar o lugar que lhe é devido, o da produção de saberes e o da transformação social. É um convite à escuta, à reflexão e à ação, mas é, sobretudo, um lembrete de que nós, mulheres da vida, sempre estivemos aqui — falando, resistindo e escrevendo nossa própria história.
Monique Prada, trabalhadora sexual, feminista, ativista, escritora, filiada à ANPROSEX (Articulação Nacional de Profissionais do Sexo).


