A riqueza nos detalhes transporta o leitor para dentro da obra, como se fosse mais um personagem. É como aquele velho baú de couro, que aberto, se impõe à força. Um convite para uma viagem ao interior, não só de Minas , mas dos personagens alguns hoje já encantados, por suas angústias e sonhos de mudanças. Em muitos momentos se assemelha àquelas conversas à beira de fogão de lenha, com pequenas centelhas de brasa e fumaça, que elevam os pensamentos e a imaginação aos lugares íntimos da alma, que te fazem se sentir melhor. A riqueza nos detalhes pode também conduzir o leitor a ser apenas um observador, como criança em conversa de gente grande. Enfim, uma excelente contribuição para que possamos refletir nesse momento de tantas rupturas. Que outros continuem a contar as histórias que lhe são caras, pois também os nossos dias serão para sempre.
Lembranças da Carinhanha e do Fundo da Manga/MG
R$42,90
Na roça é assim: a infância só existe enquanto você ainda não anda e não compreende os dizeres dos recados. Este livro é um mergulho nas águas mansas do Riacho Fundo, na poeira das estradas de cascalho e na memória afetiva de um sertão que ainda pulsa em cada página. Das serras da Carinhanha aos currais do Fundo da Manga, o autor tece um inventário de afetos onde as pessoas não são apenas lembradas — são vividas novamente. Lucília na janela, olhando a igreja onde repousa Nestor. Manassés e seu arame em brasa curando o próprio dente. Maria, a menina que sonhava além das serras. Martinho Vareta com sua botina desgastada e a fumaça do cigarro “seguindo Deus lá sabe para onde”. Mais do que um livro de memórias familiares, esta obra é um documento da alma sertaneja — da dureza da lida, do silêncio das despedidas, do amor que nasce num olhar e se perpetua na prosa. O autor não escreve sobre o sertão; ele escreve do sertão, com a mesma naturalidade com que o Riacho Fundo corre entre as pedras.


