Ao longo das últimas décadas, a universidade brasileira tem sido atravessada por debates intensos sobre desigualdade, democratização do acesso e justiça social. No centro dessas discussões estão as políticas de cotas, que abriram as portas do ensino superior para milhares de estudantes negros, indígenas, quilombolas e oriundos das periferias. Este livro convida o leitor e a leitora a olhar de perto uma das experiências mais marcantes desse processo: duas décadas da política de cotas na Universidade de Brasília (UnB), uma das primeiras universidades federais a adotar ações afi rmativas voltadas diretamente ao enfrentamento da exclusão racial na educação superior. Mais do que registrar mudanças institucionais, a obra apresenta histórias, disputas, expectativas e refl exões que emergem quando novos sujeitos passam a ocupar um espaço historicamente negado. A presença desses estudantes não apenas ampliou o acesso à universidade pública, mas também tem indagado as estruturas acadêmicas, a gestão, os currículos, o ensino, a pesquisa, a extensão, a assistência estudantil e a relação pedagógica. A partir de pesquisas empíricas, entrevistas e análises teóricas, os capítulos reunidos neste livro acompanham trajetórias acadêmicas, debates políticos e transformações em diferentes cursos e áreas do saber. Ao mesmo tempo, propõem uma refl exão mais ampla sobre o futuro da universidade brasileira. A ideia de “dessenhorização”, desenvolvida ao longo da obra, deve ser compreendida como uma provocação e um convite: imaginar uma universidade que reconheça e respeite a pluralidade de sujeitos, saberes, experiências e perspectivas que compõem a sociedade brasileira.
Dessenhorizando a universidade: duas décadas da política de cotas na Universidade de Brasília
R$135,00
Dessenhorizando a universidade é um manifesto contra à hegemonia do pensamento eurocêntrico. Reconhecer o protagonismo do Movimento Negro na proposição das ações afi rmativas já justificaria a existência de universidades pluriepistêmicas, capazes de articular diferentes percepções da realidade. Em termos globais, é um erro olharmos para o ocidente como se ainda fôssemos colônia. Em nível local, urge superarmos as ideias da casa-grande que fazem dos campi verdadeiros espaços do saber branco-cêntrico. Valorizar a presença expressiva das populações negras, quilombolas, indígenas e periféricas nas universidades significa também incorporar seus conhecimentos aos currículos. Segundo o organizador do livro, recorrendo à metáfora dos oceanos, há três ondas das ações afirmativas: a primeira, refere-se à política de cotas na graduação; a segunda, em curso, na pós-graduação; a terceira, ainda tímida, busca enegrecer o corpo docente das instituições. Que o movimento das marés do antirracismo possa limpar o mar da arrogância em que a branquitude encontra-se mergulhada.



