Diaspóricas e radicantes é um ensaio que se aproxima dos livros Hemos llegado a Ilión e La isla rota — das poetas cubanas Magali Alabau e Iraida Iturralde — articulando uma poética do espaço nas perspectivas da diáspora e da desterritorialização. Magalys Fernández Pedroso indaga esses livros-poema, observando o funcionamento do espaço e seu valor simbólico, dimensão significante e possibilidades enunciativas. Porém, suas reflexões abrangem todo o contexto regional do Caribe e do afazer literário-cultural das ilhas vizinhas, cujas produções artísticas revelam a recorrência de uma espacialidade à deriva, expressiva de uma sensibilidade diaspórica. Outrossim, o ensaio contribuiu aos estudos literários através de um diálogo conceitual que se assenta, por um lado, no pensamento “arquipielar” e “da relação” — noções desenvolvidas, principalmente, por Benítez-Rojo, Stuart Hall e Édouard Glissant — para descrever o sincretismo, a instabilidade e a desterritorialização das configurações culturais do Caribe. Por outro lado, para repensar esse universo insular no âmbito de uma cultura global, recorre aos trabalhos de Arjun Appadurai e de Nicolás Bourriaud, avaliando as novas formas de negociação e relação com o território e as raízes. Assim, com uma escrita inteligente e de leitura prazerosa — à altura dos textos poéticos que analisa — Diaspóricas e Radicantes estuda o papel da imaginação e a impossibilidade de reconciliação enquanto eixos centrais dos livros de Magali Alabau e Iraida Iturralde, e propõe ler suas obras na dinâmica atual de culturas e pessoas em movimento e em atrito, capazes de gerar seus frutos em quaisquer solos nos quais venham a transitar.
Diaspóricas e radicantes: Cuba nos versos de Magali Alabau e Iraida Iturralde
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“Diaspóricas e Radicantes: Cuba nos versos de Magali Alabau e Iraida Iturralde” é um ensaio que articula as teorias e a crítica literária sobre o Caribe com uma análise sensível dos livros-poema Hemos llegado a Ilión (1992) e La isla rota (2002), dessas duas poetas cubanas contemporâneas. O texto de Magalys Fernández Pedroso — de escrita impecável e leitura prazerosa — recupera em cada capítulo os versos das autoras cubanas e dialoga com elas através de traduções originais que enfatizam a polifonia intrínseca no gênero do ensaio literário, trazendo para a fruição do leitor brasileiro a atualidade da poesia cubana, além de oferecer um ensaio cujos comentários, argumentos e composição literária aproximam a imaginação poética, o pensamento crítico e o estudo da literatura como formas do conhecimento cultural, social e político.



