Na primeira história, o delicado levante da princesa de uma pedra só contra os vícios comuns a muitos reis: de erguer, até os céus, rochedos que apartam e afligem. Empilhar rochas a todo custo é como construir cidades a perder de vista. O penhasco de ontem iguala-se às insustentáveis metrópoles de hoje. O peso das pedras em exagero, empilhadas até formar penhascos, oprime a todos e mantém afastados os que humildes trabalham em sua lavra. A mania real de acumular pedras implica saquear e devastar a natureza, tornando desolado o mundo de muitos reinos. Deste modo, à princesa que se livra da ambição das pedras, para não tornar pétreo seu coração, resta combater ao rés do chão – sem a solidez das muradas, mas tendo como armas a leveza e o encanto.
A segunda história fala de dois belos príncipes e seus maus modos quando postos a reinar. Antes felizes e em paz com a natureza, magoam-se com a vida e, ressentidos, transformam o mundo num lugar sujo e ruim para viver. Há sempre algum momento em que os homens – e seus saberes – não oferecem respostas razoáveis para lidar com os desmandos e as ofensas à natureza. Então, todo o mundo fica ameaçado de ser coberto com asfalto e concreto. E somem rios e chuvas, e fogem animais e plantas. Mas, entre Fausto e Anacleto, está Clara – a bailar suave junto a mil bichos e mil flores.



